LEVANTA, SACODE A POEIRA...


“Levanta, Sacode a Poeira...”

João J. C. Sampaio

Quem de nós, em algum momento, não levou um inesperado tombo? Íamos caminhando tranquilamente pela rua e, de repente, nos estatelamos no chão... Instantaneamente, fomos envolvidos por uma sensação de ridículo e nem soubemos explicar se a dor maior foi causada pela queda ou pela vergonha. As quedas, embora indesejadas, fazem parte do cotidiano dos que se põem a caminho, dos que lutam ou promovem mudanças. Tais tombos, tão comuns, já foram tema da música popular. Quem não se lembra do “reconhece a queda e não desanima, levanta, sacode a poeira e dá volta por cima!”


Há também o oposto, isto é, as quedas que ocorrem pela falta de ação, omissão e desilusão. O Apóstolo Paulo, homem experimentado na fé, decidiu colocar diante de nós o assunto: “... quem pensa estar de pé, veja que não caia” (I Cor. 10,12). Para demonstrar a nossa fragilidade, ele refletiu as mazelas, contradições e quedas sofridas pelos israelitas na travessia do deserto rumo à Terra Prometida. Diante das dificuldades e de soluções aparentemente impossíveis, havia revoltas e muita murmuração contra Moisés. Enquanto Deus os favorecia, tudo estava bem; quando os provava, vinham as quedas na forma dos irados descontentamentos.


Esse povo presenciara as maravilhas do poder de Deus na passagem do mar Vermelho; no maná “caído do céu” toda manhã; nas codornizes que revoavam o acampamento ao entardecer; na água brotada de uma rocha em pleno deserto e, logo no primeiro impasse, botava a boca no mundo, maldizia a vida, o seu líder e até julgava ser preferível voltar a comer as cebolas no Egito na condição de escravos (Ex. 16,3)!


É difícil acreditar ou aceitar tamanha loucura... Mais dramático, porém, é constatar que também nós, hoje, persistimos em agir de modo semelhante. As cebolas do atual capitalismo, com todos os seus brilhos e promessas, nos atraem de tal modo que entregamos a vida por elas!


Cultivamos as enfermidades do medo e da insegurança que aprofundam suas raízes na acomodação ou na expectativa de que Deus, os políticos ou os outros encontrem soluções para problemas que são nossos... Nós mesmos, nada ou pouco nos expomos, pois não nos agrada revelar as fragilidades, as incompetências ou os tropeços imprevisíveis. Somos, por vezes, um tanto arredios à criatividade; até agimos como se pouca coisa pudesse ser mudada ou por pura preguiça de desperdiçar tempo e energias.


Justificamos a nossa inércia com argumentos considerados sensatos, precavidos, arrazoando que conhecemos o chão que pisamos.


Como vimos anteriormente, o Apóstolo Paulo também joga um balde d’água em nosso marasmo: Você que se encontra tão seguro em seu mundinho encantado ou mofado, cuidado! Não deixe a missão virar omissão! Não troque os riscos dos caminhos nem o “Ide!” do Mestre Jesus pelo conforto dos ninhos! Não permita que os seus nervos, músculos e mentes se atrofiem pelo medo, pela inação ou falta de criatividade.


Comprazo-me na letra de um canto que diz: “Mesmo que digam os homens, tu nada podes mudar, luta por um mundo novo, de unidade e paz!” Jesus já fez esse caminho. Quem acreditaria que no arrastar da cruz e nas quedas na subida do Calvário, se poderia vislumbrar algo mais que a morte? Certamente, tudo será possível ao que busca enxergar além das aparências e crê com as mãos e o coração...


Levanta e mãos à obra!

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