“O QUE EU CORTO, CHICO?” João J. C. Sampaio Na minha infância, a medicina dos pobres passava pelos curandeiros com suas rezas, gestos considerados sagrados, defumatórios, instrumentos vários, ervas, flores, frutos, raízes e outras benesses da natureza. Tudo herdado na universidade dos antepassados. Eram poucos os que conseguiam um diploma da fama. Além da gratuidade, o tratamento costumava ser bem mais humano. Essas pessoas dotadas de crenças, confirmadas pelo testemunho de tantos ou pelo imaginário popular, não padeceram com o estresse de médicos de postos de saúde abarrotados de doentes ou de hipocondríacos, os viciados em doenças. Não estou aqui para louvar ou criticar essa gente que guardava uma receita para cada doença, mas para voltar ao tempo dos sustos e encantamentos infantis, quando a minha mãe ou as mães de tantas crianças da época, íam em busca de solução dos dramas cotidianos. Vou relatar um fato, ligado a tantos outros, que aconteceu comigo e meus irmãos. Vamos juntos f...