QUARESMA: TEMPO DE TIRAR AS MÁSCARAS!
QUARESMA: TEMPO DE TIRAR AS MÁSCARAS!
João J. C. Sampaio
Por favor, não se assuste com o tema de nossa reflexão! Sei que, ao falar em máscaras, vem à nossa mente os dias de Carnaval celebrados com euforia por todo o nosso País. É um tempo de grandes competições e exibições das escolas de samba; de blocos carnavalescos em cidades e clubes; são as criativas marchinhas que fazem homenagens ou críticas; enfim, diversão para que se possa esquecer um pouco a lufa-lufa diária. Ainda bem que temos esses momentos de quebra de rotina. Afinal, ninguém é feito de aço! Ou é de ferro?
Encontramos manifestações onde as pessoas usam máscaras nos rostos, se revestem de muitos personagens ou simplesmente tiram um pouco ou muita roupa, numa possível demonstração de liberdade ou de que tudo é permitido no Carnaval. Contemplando essa infinidade de posturas, também estou decidido a me fantasiar de gente séria, com ares de psicólogo! Passo, com esse personagem, a fazer uma série de questionamentos diante de posturas tão inusitadas de muitos foliões. Concluo, com ares de entendido, que o Carnaval é “mais tempo de tirar as máscaras” do que de usá-las. Ao colocar a máscara eu me escondo, não me identifico e, quem sabe, passo a fazer tudo aquilo que desejo, mas que jamais faria de cara lavada. Sei que o contraditório pode ser estranho, mas é um modo interessante de me mostrar como sou de verdade e, só não ajo sempre assim porque há um tal de “superego” promulgado pelo famoso Sigmund Freud! O “superego” não é nada mais que um policial implacável que está com constante olho sobre nós. Explicando mais: ele representa a nossa sociedade vigilante com seus costumes e ditames.
O que afirmarei agora, causa-me a sensação de que estou quebrando posições de pensamento de séculos, mas começo a descobrir que a Quaresma, tempo que vem depois do Carnaval, é realmente um tempo propício de retirar as máscaras. Estou me referindo aos religiosos cristãos que são convidados nesses quarenta dias a dar uma reformada na sua casa interior. Reforma talvez não seja a palavra mais correta. Restauração me parece melhor! Afinal, estamos sendo convidados a contemplar nossa habitação, uma bela obra do Arquiteto Criador, mas que agora se encontra com rachaduras, com pintura descorada, vazamentos no telhado, canos entupidos; sem contar as baratas, escorpiões, mosquitos da dengue e outros hóspedes indesejados que decidiram morar conosco!
Ouvindo o que nos alerta o Mestre e Senhor Jesus, concluo que fizemos de nossa habitação uma verdadeira lixeira, uma espécie de “castelo mal assombrado” onde cultivamos tudo o que não procede de Deus. O Evangelista Marcos anotou o que afirmou Jesus, um punhado de coisas que precisamos jogar fora e assim, retirar de vez, as máscaras que só nos prejudicam. Proclamou: “O que sai do homem é que mancha o homem. Porque é de dentro do coração do homem que saem os maus pensamentos, prostituições, furtos, homicídios, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, luxúria, inveja, calúnia, orgulho, insensatez” (Mc. 7, 23).
Vivemos mascarados porque, apesar de carregar todo esse lixo, aparentamos ser pessoas do bem, religiosas, cumpridoras de uma série de ordenamentos. Continuamos a fazer a nossa oferta diante do altar, mas os nossos relacionamentos humanos continuam uma tragédia. Como religiosos até nos consideramos “os bons”, “os justos”, “os certos”, “somos dizimistas”, “oramos todos os dias” e, quem sabe, temos a fama de “santos”! Aqui se encontram algumas das máscaras que precisamos eliminar de nossas vidas. Fundamental é “SER” e não “PARECER”!
O Evangelista Mateus também nos propõe, para ajudar na restauração de nossa casa, buscar os materiais contidos nos capítulos 5, 6, e 7 do Evangelho que ele escreveu. Até mencionou sobre a importância de construir a nossa casa sobre a Rocha (Mt. 7, 24-25).
Ai está o tempo quaresmal! Quaresma significa quarenta dias de preparação para celebrar a Páscoa do Senhor! Ainda há tempo de restaurar a nossa casa e torna-la o Templo do Deus vivo! Mãos à obra!
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