MÃE, VOCÊ É PRECIOSA E SEM PREÇO!


MÃE, VOCÊ É PRECIOSA E SEM PREÇO!

João J. C. Sampaio

Nossas idolatrias movem o mundo. Entre tantos objetos de adoração o dinheiro parece arrebatar o primeiro lugar na preferência. Lutamos tanto pela sua aquisição que a maior parte de nosso tempo é a ele dedicado. Aceitamos ser medidos em importância pela quantia que acumulamos. Esse modo de proceder resultou em uma sociedade cada vez mais gananciosa, competitiva, exploradora, individualista, injusta e de pouca partilha. A qualidade de vida é confundida com a maior capacidade de consumo Desse processo ninguém escapa e, até nós cristãos, que dizemos acreditar na Providência Divina, “no pão nosso de cada dia nos dai hoje”, preferimos depositar a nossa fé no poder econômico que parece sugerir mais segurança. Sei que precisamos dos bens e que há necessidade de lutar por eles, mas sem torna-los absolutos.


Apesar dessa postura comum entre nós, ainda encontramos pessoas que insistem em afirmar que os elementos mais significativos da vida não são mensurados pelo ouro, pela prata ou pelo que podemos adquirir. Entre essas raridades estão as nossas mães, que buscam o melhor para seus filhos, mas que não deixam de apostar com todas as suas forças em um mundo mais humano e acolhedor. Elas ousam trazer dentro de si a constante gravidez de um novo tempo que há de se estabelecer. O vigor delas provém do alimento mais completo já saboreado: o amor incondicional, irrestrito e sem medida. Mesmo vivenciando angústias, incertezas, decepções e até derrotas em um planeta cuja marca registrada vem sendo o egoísmo, “o cada um por si”, o ódio inexplicável, elas não se entregam. A decisão pela vida é tanta que o próprio Deus as comparou com a sua fidelidade: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas?” (Is. 49,15). Isso é elogio dos grandes!


Vamos nos unir ao elogio de nosso Deus e glorificar as nossas mães, especialmente neste dia dedicado a elas, mas tenhamos o cuidado para que este momento não seja marcado só pela expressão consumista, porque de alguma maneira comparamos, mesmo sem querer, o amor de nossas mães ao presente material que podemos oferecer. Que elas jamais sejam medidas pelos objetos de consumo por mais caros que sejam... Sabemos que existem filhos desavisados que assim pensam! Cuidado, não banalizemos a nossa homenagem! Que venham os presentes, mas saibamos que nenhum mimo poderá superar ou ser comparado ao DOM DA VIDA que dela recebemos! Juntemos também a ternura de seus olhos, as noites de vigília, o colo quentinho, as mamadeiras bem preparadas, os gestos de acolhimento, as palavras de apoio e os beijos afetuosos! Nossas mães são a própria solicitude; não conhecem o descaso nem o descanso! Elas contrapõem ao mundo de interesses com o dom da gratuidade...


Todas as mães merecem a nossa mais profunda e absoluta admiração, porque em cada novo ser que elas geram, apresentam o incontido desejo de reinventar o ser humano, tão desfigurado em nosso tempo. É mais uma lição que nos oferecem ao demonstrarem a coragem do recomeçar! Querem que apreendamos que a existência é constante insistência, nunca desistência!


Abençoadas sejam as nossas mães, porque nesta trajetória planetária, não se afadigam nem se envergonham de manifestar por palavras e obras, os valores mais humanos que fazem de seus filhos gente de verdade!


A nossa carinhosa homenagem a todas as mães: sejam elas mães de filhos maravilhosos ou problemáticos; mães que sofrem com filhos drogados ou abandonados; mães sem maridos que sozinhas educam seus filhos; mães acarinhadas e mães que padecem o descaso e o abandono. Todas elas, por algum viés, se parecem com Maria, a Mãe de Jesus! Que a partir deste dia, com nossas atitudes filiais comprometidas e amor irrestrito, façamos com que elas experimentem a exuberância da vida feliz que bem merecem!


Queridas mães, gratíssimo por tudo! Sem Vocês, onde estaríamos nós?

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