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Mostrando postagens de março, 2026

"É JESUS, O PROFETA DE NAZARÉ..."

“É Jesus, o Profeta de Nazaré...” João J. C. Sampaio Jesus, finalmente, decidiu entrar solenemente no centro mais importante do mundo religioso judaico. Depois de viver na pequenina e desconhecida Nazaré, de bater pesado no serviço de carpinteiro, de iniciar a sua missão pela menosprezada Galileia, agora se prepara para o desfecho de sua obra redentora. Vai para a cidade de Jerusalém, local reconhecido como concentrador do poder político, econômico e religioso do país, onde estavam instaladas as mais resistentes raízes das injustiças que afligiam o povo. Havia chegado a hora do afrontamento. Todos os Evangelhos mencionam que Jesus teve uma atitude inesperada ao aproximar-se de Jerusalém (Mt. 21, 1-11; Mc. 11, 1-11; Lc. 19, 28-48; Jo. 12, 12-19): Ele quis entrar na cidade montado em um jumentinho. Certamente, havia mais gente chegando e saindo da cidade nessa montaria tão comum na época. Mas, mesmo assim, com Jesus tudo foi diferente. A sua entrada foi triunfal, entre aclamações de ...

CULTURA DO ÓDIO

CULTURA DO ÓDIO João J. C. Sampaio A humanidade deseja, ardentemente, construir a sua história com os resistentes tijolos da paz, amalgamados com a excelente argamassa da solidariedade, mas, mesmo assim vive sofrendo constantes abalos sísmicos em suas bases relacionais, comprovando que ainda não sabe dominar os seus impulsos de agressividade. É inacreditável que, como por encanto, ódios e rancores se irrompam poderosos, colocando abaixo anos, décadas ou séculos de construção. Mais: como é possível que o ser humano não tenha aprendido com os horrores de tantos conflitos e ainda permaneça em estado de beligerância! Que teimosia! Os conflitos, porém, não se desenvolvem apenas em amplos níveis, mas se desencadeiam em qualquer espaço onde se encontre o ser humano com os seus interesses e paixões. Não escapam dessa rede de intrigas as piedosas comunidades eclesiais, nem as famílias consideradas perfeitas. Não se entende como o ódio e seus derivados se assenhoreiam de nossas vidas colocando...

TÁ TUDO DOMINADO!

TÁ TUDO DOMINADO! João J. C. Sampaio Os Evangelhos escritos por Mateus e Lucas, nos relatam com detalhes sobre as tentações sofridas por JESUS. Essas investidas demoníacas sofridas por Ele podem ser comparadas com algumas das incontroláveis tentações que sofremos em nosso dia-a-dia e deixamos nos levar, demonstrando como ainda padecemos de miopia, do faz de conta que enxergamos bem e de como o diabo, por vezes, é ainda acolhido por nós! Vivemos tão inseridos no “hiper-super-mercamundo” de consumo que não damos conta do quanto somos conduzidos pelo brilho do seu poder. Entramos de peito aberto e nos comprazemos com tudo o que ele nos oferece, mesmo sendo aconselhados, como cristãos, a “estar no mundo sem ser do mundo” (Jo. 15, 19). Tudo se inicia com a educação que herdamos de nossos pais e ofertamos aos nossos filhos. Ela tem visado o possível sucesso que eles poderão conquistar: queremos que eles sejam realizados do ponto de vista do econômico, acumulando bens, patrimônios, fama, ...

ESCOLHIDOS, MAS PRESUNÇOSOS!

ESCOLHIDOS, MAS PRESUNÇOSOS! João J. C. Sampaio Ainda não se descobriu uma vacina que nos imunize da mania de grandeza e do vício de achar que os outros são ignorantes ou culpados pelos transtornos na vida. Lemos nas Escrituras sagradas que certos membros do povo de Israel se julgavam os “bons” e protegidos por Deus porque descendiam dos famosos patriarcas Abraão, Isaac e Jacó. Se ocorria algum fato contra Israel, costumavam lançar, sem nenhum pudor, a culpa no povo mais humilde, considerado pecador. Quando oravam, também costumavam ser petulantes: “Graças te dou, ó Pai, porque não sou como os outros...” e desfiavam suas pretensas virtudes... (Lc. 18,11). Séculos antes, o profeta Jeremias já desmascarava essa incoerência afirmando que “cada um era responsável pelas suas próprias faltas” (Jr. 31, 29-30) e não só os mais pobres. Lamentavelmente, essa postura milenar ainda faz morada segura entre piedosos religiosos que se consideram os “bons”, os “justos” e “fiéis cumpridores da lei divi...

AGORA, PODE BEIJAR A NOIVA!

AGORA, PODE BEIJAR A NOIVA! João J. C. Sampaio Quanto mais vivo, mais intrigado fico. Percebo um pouco mais das manias de nosso espaço cultural e ao mesmo tempo vou remoendo, nem sempre em silêncio, uma porção de acontecimentos. Afirmam os mais ajuizados que “em bocas fechadas não entram moscas” ou não saem bobagens... Como nem sempre consigo me incluir entre os de mais juizo, ouso trazer à baila um costume que, segundo penso, já deveria ter desaparecido. Trata-se de um gesto machista que ainda marca profundamente a nossa sociedade. Tenho visto em novelas e ouvido nas igrejas uma frase já famosa no ritual dos casamentos. Finda a cerimônia, após o “sim” do feliz casal, solenemente, o padre ou o pastor decreta: “Agora, pode beijar a noiva!” Normalmente, comento com os que estão ao meu lado que muitos padres e pastores ainda não deixaram o modo arcaico de pensar e que, para eles, o casamento não é nada mais que o acoplamento da mulher à vida do homem! Descobri, com estudos, que os casam...

A VIRTUDE DA BRINCADEIRA

“A VIRTUDE DA BRINCADEIRA” João J. C. Sampaio Anos atrás, caiu em minhas mãos um livro de autoria do Bispo D. Valfredo Tepe, onde encontrei um capítulo que me chamou a atenção. Para a época, escrever sobre o assunto “A Virtude da Brincadeira” pareceu-me uma ousadia e, ao mesmo tempo, uma admirável lucidez desse Prelado. Nunca mais me esqueci de suas exposições e, hoje, veio-me o desejo de lançar algumas reflexões nessa direção. Ao fazer a leitura desse capítulo, entendi que o autor estava seriamente preocupado com a necessidade do lazer como parte integrante da vida do ser humano. O mundo do trabalho, cada vez exigindo mais e remunerando menos, conduz boa parcela dos trabalhadores a buscar alternativas laborais, no afã de conseguir melhores condições de vida. Afinal, como se apregoa no dogma de fé dos donos do capital: “tempo é dinheiro!” Como consequência dessa labuta desenfreada, verificamos pessoas cada vez mais estressadas, descaídas pela fadiga, sofridas, sem rendimento suficien...