A VIRTUDE DA BRINCADEIRA
“A VIRTUDE DA BRINCADEIRA”
João J. C. Sampaio
Anos atrás, caiu em minhas mãos um livro de autoria do Bispo D. Valfredo Tepe, onde encontrei um capítulo que me chamou a atenção. Para a época, escrever sobre o assunto “A Virtude da Brincadeira” pareceu-me uma ousadia e, ao mesmo tempo, uma admirável lucidez desse Prelado. Nunca mais me esqueci de suas exposições e, hoje, veio-me o desejo de lançar algumas reflexões nessa direção.
Ao fazer a leitura desse capítulo, entendi que o autor estava seriamente preocupado com a necessidade do lazer como parte integrante da vida do ser humano. O mundo do trabalho, cada vez exigindo mais e remunerando menos, conduz boa parcela dos trabalhadores a buscar alternativas laborais, no afã de conseguir melhores condições de vida. Afinal, como se apregoa no dogma de fé dos donos do capital: “tempo é dinheiro!”
Como consequência dessa labuta desenfreada, verificamos pessoas cada vez mais estressadas, descaídas pela fadiga, sofridas, sem rendimento suficiente para suprir as necessidades e até dando mostras de envelhecimento antes do tempo.
Quando o Prelado Tepe descreveu o lazer, a brincadeira, o tempo livre ao nível de virtude pareceu-me estar afirmando que não é aconselhável se afundar em um ativismo desenfreado, insano, desgastante para ganhar a vida ou acumular capital, mas de conhecer e respeitar os próprios limites. Não é por acaso que verificamos, com pesar, aposentados derrotados pela terrível sensação de incapacidade, inutilidade ou de não serem mais necessários. Parece que, além da labuta diária, não havia nada mais a conceder a si próprios. Não tinham a percepção que ainda poderiam realizar atividades diferentes que proporcionassem criatividade, prazer, alegria e muito mais vida.
A “virtude da brincadeira”, proposta pelo Bispo Tepe, tem tudo a ver com a Educação que recebemos como herança. Quem sabe pudéssemos sugerir uma forma educativa para cultivar uma vida mais saborosa: a Educação para o lazer! Lazer que é absolutamente necessário para se viver de modo mais equilibrado, feliz e saudável. Educação é aprendizagem que adquirimos a vida toda, pois jamais estaremos completos!
O ideal seria se pudéssemos trabalhar com o que nos oferecesse mais prazer e não suplício. E sem vigilantes em cima!
As pessoas que sabem equilibrar a vida com o trabalho e o lazer; que encontram tempo para realizar o que desejam; que possuem a capacidade de rir até de seus problemas, geralmente são mais criativas, sociáveis, agradáveis, transmitem serenidade e bem-estar.
São pessoas que NÃO possuem o ranço da cara feia, sempre fechada, de mal com a vida, nem colocam em seus rostos uma tabuleta: “cuidado com o cão”, ou “perigo, afaste-se”! Tenho medo e desconfiança dos que cerram o semblante para demonstrar autoridade, seriedade ou sabedoria. Regra geral, são pessoas inseguras; trabalhadoras com certeza, mas que não contribuem em nada com a vida sabor paraíso.
Concluo o arrazoado “a virtude da brincadeira”, com a proposta de elaborar uma nova reflexão sobre a “Virtude do equilíbrio” em nossa existência tão efêmera...
Sampaio, mais uma vez você coloca seu conhecimento e sua experiência em favor dos seus amigos!!!
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