ANO NOVO, SEM VELHAS MANIAS!
Ano Novo, Sem Velhas Manias!
João J. C. Sampaio
Em uma das formaturas que participei nos finais de ano, ouvi da boca de um Pastor Presbiteriano, amigo meu, uma estória já contada e recontada. O que ele expôs nesse dia de festa aos alunos que encerravam o Ensino Médio, pode ajudar a nossa reflexão e tomada de decisão neste início de mais um novo ano.
Narrou o meu amigo Pastor que, pai e filho seguiam de carroça por um caminho que cortava propriedades rurais, todas cultivadas. De repente, eis que surge uma plantação de abacaxis, com frutos graúdos, maduros, exalando um aroma adocicado, acordando até os transeuntes mais distraídos. O pai parou a carroça, contemplou aqueles frutos viçosos, sentiu água na boca, coçou a cabeça e decidiu que levaria alguns para a casa. Repetiu, então, com toda a atenção, o ritual próprio dessas ocasiões: olhou para trás e não havia ninguém, verificou bem a sua frente e tudo estava deserto, mirou cuidadosamente para os lados e concluiu que esse era o seu dia de sorte. Saltou rapidamente da carroça e, quando já estava varando a cerca que separava a estrada do abacaxizal, o seu filho lhe gritou: - “Pai, o senhor se esqueceu de olhar para o lado de cima!” Envergonhado, ele entendeu o significado da chamada de atenção e foi-se embora sem levar os abacaxis...
O meu imenso desejo é de que neste novo ano olhemos um pouco mais para cima. Não podemos continuar a repetir os mesmos gestos de anos anteriores, na ânsia de tirar vantagem em tudo, principalmente, quando avaliamos que ninguém está nos observando. Penso que, mesmo antes de olhar para cima, deveríamos olhar para dentro de nós mesmos, porque, é a partir de dentro que manifestamos o que somos.
Para o nosso melhor entendimento, mencionemos uma pequena palavra, quase esquecida do vocabulário, mas que faz uma falta danada no cotidiano de nossas ações: a ÉTICA! O sistema capitalista, no qual estamos inseridos até o pescoço, proclama que o mundo é dos espertos, que quem pode mais chora menos e que os incompetentes não se estabelecem. Por outro lado, estamos percebendo que, sem um trabalho sério de inclusão social, as feridas vão se aprofundando e causando sofrimento na vida de tanta gente. Será que é assim que seremos mais felizes?
Um mundo sem ética é um mundo sem respeito à vida. Onde a vida não é respeitada, a tolerância vai embora, as pessoas não se entendem, a insegurança se manifesta, as revoltas tornam-se inevitáveis e a paz desaparece. O terrorismo assassino, as guerras sangrentas e as várias formas de violência que presenciamos ou sofremos não são simples atitudes gratuitas de grupos que se comprazem em viver no ódio. A fonte dessas desgraças se encontra na injustiça, no domínio do mais forte sobre o mais fraco, no egoísmo que busca proteção só do que é seu e não é capaz de enxergar nada que não seja de seu interesse.
Sem posturas éticas, vamos continuar trancafiados, cheios de medo, lamentando que Deus se esqueceu da terra permitindo os males e que as autoridades são incompetentes porque não tomam providências. É bem mais cômodo caminhar por aí, sem desgastar a nossa imagem. Imagem semelhante a do diabo, que depois de contribuir com o aumento dos males, não sabe onde esconder o rabo que o denuncia...
Com sabedoria, a Igreja Católica abre o novo ano com uma festa dedicada à pessoa de Maria. Essa mulher corajosa anunciou os novos tempos, assumindo uma gravidez problemática e, agora se mostra zelosa no cuidado do “Filho que nos foi dado”. Tomara que nessa Criança também estejamos nós! Que Ela nos tome pelas mãos e nos encaminhe com carinho pelos dias do Ano Novo que está se descortinando! Quem se colocou na postura de Serva de um mundo novo, também nos fará comprometidos com ele.

Ótima reflexão. Feliz 2026, muita paz e sabedoria João.
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