ANJO MEU!


ANJO MEU!

João J. C. Sampaio


Eu também gosto de cantar a plenos pulmões: "Tem anjos voando neste lugar, no meio do povo, em cima do altar..." e fazendo os gestos de quem gostaria de sair por aí galgando as alturas. Eu sei que somos enlevados pela melodia, pelo significado das palavras e pelo momento do culto no qual glorificamos o Senhor com a alegria do nosso coração. Isso é muito bom e faz bem. Até cristalizamos em uma frase, copiando Santo Agostinho, a força do nosso gesto: "quem canta, reza duas vezes"!

Pessoalmente, creio que rezamos muito mais...

O propósito desta introdução, não é para enaltecer o canto, mas para falar de anjos. Uns afirmam que eles não existem, enquanto que outros estão ficando ricos com a venda de livros, incenso, velas, imagens angelicais e outros objetos que representam a hierarquia celeste dos reverentes serviçais do Senhor em sua glória.

Lembro-me também do Primeiro Catecismo da Doutrina Cristã que perguntava: "Quem são os anjos?" A resposta era objetiva: "São puros espíritos que Deus criou para a sua glória e seu serviço". Se desejar pode conferir o Catecismo. Na minha infância, ainda aprendi com meus pais a rezar: "Santo Anjo do Senhor..." e, pelas palavras, mais que uma prece, parece que exigimos de nosso Anjo da Guarda muita atenção e cuidado para conosco!

Porém, não é só desse Anjo ou desses Anjos que vamos refletir. Queremos nos referir também a Você, caro(a) amigo(a). Sim, a Você, anjo sem asa, de carne, nervos e ossos, sisudo ou sorridente, gordo ou magro, alto ou baixo, de qualquer nacionalidade ou de qualquer cor! Anjão ou anjinha, não importa! Mas, anjo muito preocupado com as pessoas de seu relacionamento, de seu mundo de trabalho, de sua comunidade eclesial, principalmente daquelas que carecem de mais carinho e dedicação. Ser anjo que acompanha, que apanha, que apoia, socorre, fala, bronqueia, liberta, acaricia, está junto. Ser anjo polivalente e que não tira o corpo na primeira dificuldade. Anjo arrojado, destemido, competente, que "mata a cobra, mostra o pau e mostra a cobra".

Eu tive o privilégio de contar com alguns desses anjos em minha vida. Mencionando, sem dúvida, os meus familiares, lembro-me também que no início de minha vida em seminário (fui seminarista) tive dois anjos. Um, oficial, nomeado pelo superior para orientar-me nos primeiros passos dentro da casa, mas que desistiu da tarefa porque eu era um caboclinho desengonçado e, outro, a quem fui repassado, que me ensinou o beabá desse mundo que me era estranho. O anjo substituto, realmente foi anjo. Posso passar-lhe o certificado de competência. Há mais um outro anjo que também surgiu na minha vida em um momento que mais precisava de apoio. A esse anjo, hoje chamo de amigo. Um anjo pensativo, às vezes sorridente, um tanto rigoroso, bronqueador, exigente, mas que nunca me deixou na mão. Foi o tipo de anjo para Criador nenhum botar defeito! Anjo assumido e decidido. Anjo que vai com você, sonhando como você, até as últimas consequências.

Assim como tive a ajuda de tantos anjos, também me esforço, apesar de minhas limitações, para ser um deles na vida dos outros. Às vezes, perco a paciência, digo não, enrosco as asas nas poltronas do comodismo, mas estou plenamente consciente de que esse é o melhor caminho da partilha e da fraternidade.

Se decidirmos por essa atitude, com certeza o nosso louvor se elevará verdadeiro e a letra do canto que mencionamos no início será mesmo uma realidade: "Não sei se a Igreja subiu ou se o céu desceu, só sei que está cheio de anjos de Deus e que o próprio Jesus está aqui!"

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