ESPÍRITO DIVINO E A NOVA CRIAÇÃO

 

ESPÍRITO DIVINO E A NOVA CRIAÇÃO

  João J. C. Sampaio

  Celebramos na festa de PENTECOSTES a inimaginável generosidade de nosso Deus que decidiu fazer em cada um de nós o seu próprio templo. O Apóstolo Paulo, em sua primeira Carta aos Coríntios proclamou que “NÓS SOMOS O TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO”. Ele faz parte de nossas vidas e mora conosco (I Cor. 6, 19-20). O livro do Gênesis nos recorda que “NO PRINCÍPIO O ESPÍRITO DE DEUS PAIRAVA SOBRE AS ÁGUAS” (Gn. 1, 2) e que na segunda narrativa da criação Deus nos criou do barro da terra e “SOPROU” sobre nós o seu Espírito, o hálito da vida (Gn. 2, 7). Sabemos que não fomos capazes de corresponder a esse insondável gesto amoroso, de modo que, muito tempo depois, o mesmo Espírito Santo comunica à jovem Maria de Nazaré que dela nascerá Aquele que nos reconciliará com o Deus Criador.

  O Evangelho de João apresenta uma narrativa diferente dos Atos dos Apóstolos sobre vinda do Espírito Santo. É o primeiro dia da semana (domingo) e Jesus aparece ressuscitado aos seus Apóstolos. Após a saudação da Paz, Jesus “SOPRA” sobre eles uma nova Vida: “RECEBEI O ESPÍRITO SANTO...” (Jo. 20,22) Há exegetas que sinalizam a doação preciosa do ESPÍRITO no último momento vital de Jesus na Cruz. Ao dar o seu último suspiro, no derradeiro “SOPRO”, nos “ENTREGOU O ESPÍRITO”! Isso nos testemunha João, o discípulo amado, que estava junto à Cruz (Jo. 19,30).

  A narrativa sobre a vinda do Espírito Santo de Deus na catequese do evangelista Lucas, nos apresenta um extraordinário acontecimento em Jerusalém, quando lá se encontravam judeus de Israel e os que haviam se espalhado pelas regiões de povos vizinhos ou mais distantes. Acontecia na cidade de Jerusalém a festa das Colheitas, celebrada 50 dias após a Páscoa judaica (Lev. 23, 15-21). A cidade santa, durante uma semana inteira celebrava, com gratidão, o privilégio de ter um país com a bênção da produtividade! Que felicidade ter um lugar para morar e uma terra com abundância de rebanhos, árvores frutíferas e cereais para coloca-los à mesa da partilha. Jerusalém, no dia de Pentecostes fervilhava! Era gente de todo o lado.

  É nesse ambiente festivo e de ação de graças que o Espírito Santo se apresenta. Desta vez, a narrativa do evangelista Lucas nos fala de uma “VENTANIA” que entrou pela casa onde estavam os Apóstolos e de “LINGUAS DE FOGO” que pousaram sobre a cabeça de cada um deles (At. 2, 1-4). Nessa “VENTANIA”, novamente está presente o “SOPRO”, agora mais contundente e, com certeza, sobre todos nós. É o “VENTO” gerador da Vida e, ao mesmo tempo salutar, para varrer todos os nossos medos e nos impulsionar para a continuidade da missão que nos foi confiada por Jesus! É a Igreja em saída...

  Como testemunhou o evangelista Lucas, o Espírito Divino ainda se apresentou em forma de “LÍNGUAS DE FOGO”! Agora também somos purificados no fogo, como se purifica o ouro e a prata! A minha mente corre até o profeta Isaías quando este demonstrou medo de assumir a tarefa solicitada por Deus. Diz o texto que um anjo do Senhor pegou uma brasa ardente e a colocou nos lábios de Isaías. E foi assim que ele, purificado, se disponibilizou a servir na condição de profeta: “EIS-ME AQUI SENHOR, ENVIA-ME!” (Is. 6). O evangelista Lucas também expressou o efeito dessas “LÍNGUAS DE FOGO”: os medrosos Apóstolos agora se inflamaram de coragem e passaram a anunciar Jesus! A maravilhosa surpresa foi que cada estrangeiro que ali se encontrava entendeu o que eles falavam na sua própria língua!

  Tem mais? Muito mais! O Apóstolo Paulo entendeu bem os porquês da manifestação do Espírito Santo. Agora, com esse dinamismo e sabedoria, aprendemos que somos um ÚNICO CORPO, com membros diferentes, mas todos voltados para o perfeito funcionamento corporal. Finalmente podemos apreender o significado dessa unidade na diversidade (1Cor. 12) na Igreja do Cristo Jesus! Este é o momento propício, Irmãos e Irmãs, para avaliar o nosso desempenho dentro dessa magnífica obra realizada pelo Santo Espírito que distribuiu, de forma generosa e gratuita, os seus dons e frutos (qualidades de nosso Deus) para todos nós!

                Com tantos dons e abundantes frutos que recebemos do Santo Espírito, começo a entender melhor o significado de “ser criado à imagem e semelhança de Deus” (Gn. 1, 26). 

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