BATISMO: ADESÃO E AÇÃO




Batismo: Adesão e Ação

João J. C. Sampaio
8.1.2026

É comum a afirmação de que a vida começa aos quarenta anos. Os mais brincalhões dizem que nessa idade se iniciam, realmente, os problemas... São as dores nas juntas, nas costas e por todo o corpo; dificuldades para conseguir emprego; frequentes pensamentos sobre a morte ou coisas desse quilate!

O nosso País exige que o Presidente da República e os Senadores tenham idade superior a trinta e cinco anos para exercerem os seus mandatos representativos. Supõe-se que a idade mais adulta seja também a do melhor juízo, do equilíbrio, de gente que sabe o que fazer com a vida. Li, certa vez, embora sem comprovação, que os profetas bíblicos, para terem crédito em seus anúncios e denúncias, deveriam ter trinta anos, no mínimo. O interessante é que o Mestre e Senhor Jesus, ao iniciar a sua vida pública com o Batismo, com a escolha dos Apóstolos, com os ensinamentos e operação de milagres contava, segundo o Evangelista Lucas, com "mais ou menos trinta anos" (Lc. 3, 23).

O que sabemos, portanto, é que Jesus ao completar 30 anos apresentou-se a João (o Batista), às margens do rio Jordão para ser batizado por ele, dando início declarado à sua missão redentora.

Diante do Profeta batizador e do povo presente, mais uma vez, o Espírito Santo de Deus se manifestou. Antes fecundara o útero de Maria gerando Jesus, o Filho de Deus e agora, de forma clara e inequívoca O apresenta, ao sair das águas do rio Jordão, como o “Filho muito amado...”

Se na aurora do mundo "o Espírito pairava sobre as águas" (Gn. 1, 2) prenunciando a criação, chegara a hora de proclamar a Nova Humanidade saindo das águas com a pessoa do Salvador Jesus (Mc. 1, 8-11).

É fundamental enfatizar: o Messias, mais uma vez, está sendo apresentado longe do centro religioso judaico, dos palácios reais e das instâncias consagradas ao poder. A Unção de Jesus teve endereço inequívoco: o povo desprestigiado. O Evangelista Marcos, em seus escritos, apresentou Jesus iniciando o seu ministério salvador lá pelas bandas da Galileia, onde habitavam pagãos e pessoas comumente mais desprezadas (Mc. 1, 14).

Ao celebrarmos o Batismo de Jesus, na verdade celebramos e renovamos o nosso. Ele nos liga na mesma função de servos e eleitos, com a obrigação de abrir os olhos dos cegos, libertar os cativos de tantas formas de prisão, promover a justiça e ser luz (Is. 42, 6-7).

Com o Apóstolo Pedro que testemunhou os passos do Mestre Jesus depois que foi batizado, aprendemos que "Ele andou por toda a parte fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio..." (At.10, 38). Com o mesmo Apóstolo também descobrimos que Deus não faz distinção de pessoas, nem de nação, pois todos são igualmente convidados, pelo Batismo, a participar da reconstrução de um mundo justo, acolhedor, fraterno e solidário.

A voz “vinda do céu” apresentando a Pessoa de Jesus: "Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer" (Mc. 1, 11), hoje também é dirigida a todos nós que acolhemos a missão de estabelecer a justiça tão desconsiderada em nosso meio.

Creio que podemos, com honestidade entender, que os muitos anos de vida nem sempre são garantia de maturidade. É por isso que buscamos e contamos com a sabedoria que vem de Deus para discernir qual é a Sua vontade a nosso respeito (Tg. 1, 5-6).

Assim concluímos, com firme convicção, que ser batizado não tem relação com idade, mas com atitude de quem sabe em quem depositou a sua confiança; que não teme envolver-se em um mundo em construção, colocando-se a serviço dos sem esperança e expondo-se, sem restrições, até que a justiça e o direito se estabeleçam no espaço de nossa convivência.

Sem esse compromisso restaurador, o nosso Batismo pode assemelhar-se a um banho qualquer, desses que precisamos tomar todos os dias. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FINADOS OU REFINADOS?

SAI DO NINHO E VOA!

NATAL DE CONSUMO