XÔ, INTOLERÂNCIA!



XÔ, INTOLERÂNCIA!


João J. C. Sampaio

Estamos assistindo, preocupados e desconcertados, os violentos acontecimentos em várias partes do planeta. Uns governantes, com semblante de justos, causam terror em nome de Deus e outros, em nome da justiça, da ganância ou da camuflada vingança promovem a guerra e a destruição. Em meio à tamanha confusão, os gestos de intolerância se multiplicam, com desprezo aos que não professam o mesmo credo, não pertencem à mesma raça ou são, simplesmente, indesejados.


Regressamos ao tempo áureo dos romanos, que se consideravam superiores, enquanto os povos dominados eram apelidados de bárbaros! Na atual confusão reinante, é bem mais conveniente estar ao lado do poderoso. Aparentemente, corremos menos risco e até aguardamos, com certa ansiedade mórbida, um desfecho cruel e arrasador para o povo apontado como o causador das desgraças. Há quem acredite que nada temos a ver com os fatos, de modo que, os que “aprontaram” que se engalfinhem e que se “danem”!


No entanto, estamos enganados: nós e todos os que habitam o considerado Terceiro Mundo e outros cantos do planeta. Pagamos cada centavo, em dólar, para a manutenção desses conflitos. Pior, contribuímos para esmagar o mais fraco! A ordem mundial, que já não era de grande valia, perdeu o rumo. A razão parece ter sido jogada na lixeira da loucura. Passamos a preferir o caos!


Para subsidiar a nossa penosa reflexão, eis que irrompe, com vestes atuais, o profeta bíblico Habacuc que lamenta vislumbrar, diante de si, somente “opressão e violência”; que as “discórdias e as contendas enfraqueceram as leis”; que “não se reconhece mais a justiça porque ela se encontra falseada” (Hab. 1, 2-5). Os nossos olhos assombrados não conseguem acreditar o que contemplam!


Nessa onda desmedida de desditas, o óbvio continua em evidência: quem perece é sempre o inocente, o que necessita de apoio, o que clama por um pouco de vida. Ele não tem lugar para se estabelecer, nem para onde fugir! Desespera-se ao extremo porque não sabe como proteger os filhos famintos e ameaçados de morte! Sequer consegue entender o motivo de tantas agressões ou explicar tamanho sofrimento.


Aos seguidores do Mestre e Senhor Jesus não cabe o direito de assistir a tudo, passivamente, como se nada tivessem a fazer. A situação vem atingindo níveis insuportáveis porque, pela omissão dos considerados bons, a lava escaldante da insensibilidade entornou.


Nós estamos sendo urgentemente convocados a recompor um novo projeto de paz. Temos que volver imediatamente o nosso olhar para as frágeis condições de vida e de tolerância em nosso planeta. O número de excluídos do sistema e de mortos nesses conflitos banais, patrocinados por poderes iníquos e mesquinhos, envergonha os que ainda não perderam a sensibilidade dos humanos, nem a sua racionalidade.

O que se noticia na mídia não está longe de nós e nos atinge em todos os sentidos. Muitas dessas atrocidades, em menor grau, ocorrem em nossas casas, no ambiente de trabalho, nas ruas e até nas comunidades religiosas. Na verdade, as daninhas irmãs: intolerância e violência, primas do preconceito e da insensibilidade, também rondam os nossos espaços, criando um clima de desconfiança e de insatisfação. Nossa missão será a de banir para sempre essas doenças pegajosas em todas as suas formas: a competitividade aniquiladora e mesquinha, a xenofobia, a agressão, o culto ao ego, enfim, a tudo o que promova a exclusão e a marginalidade.


Nosso Cristianismo não pode se trancar, como agiram os Apóstolos apavorados e inseguros dentro do cenáculo (At. 2, 1). Vivemos hoje a realidade do Espírito que, sem medo, deseja escancarar as portas para o diálogo fraterno, ao respeito mútuo, ao acolhimento a todas as pessoas, promovendo uma humanidade decididamente feliz.

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