PEREGRINOS DA ESPERANÇA
PEREGRINOS DA ESPERANÇA
João J. C. Sampaio
Não tenho nenhuma dúvida de que somos seres de desejos. A nossa existência é constituída de sonhos mirabolantes e de projetos intermináveis. A ânsia que temos é de atirarmos em direção ao futuro, o que gera incertezas, mas também a estranha obsessão de conquistar novas paisagens. Creio que é inerente ao ser humano a condição de peregrinos. Somos semelhantes aos “pais da fé”, Abraão e Sara, que a convite de Deus, deixaram a segurança de seus parentes e amigos e partiram em busca de uma terra nova “onde corria leite e mel” (Ex. 3, 8). Nós vivemos em busca dessa mesma terra, sonhamos com ela todos os dias e por ela nos colocamos a caminho.
A estrada que nos conduz é a mesma que nos apresenta dificuldades. Entre dores e esperanças é na jornada que a vida se realiza. Há no seu itinerário surpresas de todos os tipos, encontros com os que vão e os que voltam; com os muito animados e os desanimados; com os que oferecem um ombro amigo e os que nos olham com desconfiança; com os que avançam decididos e os que sentam para espantar o cansaço ou porque simplesmente desistiram...
As Sagradas Escrituras nos estimulam com uma série de personagens que se puseram a caminho na conquista de seus ideais. Se Abraão e Sara não tivessem ouvido a voz do Senhor, onde estaria o povo de Israel (Gên. 12, 1-3)? Se Moisés não se arriscasse a subir o monte Horeb (Ex. 3, 1-15), como descobriria que Deus desejava a libertação de seu povo? Se o sírio Naaman, no tempo do profeta Eliseu, não viesse até o rio Jordão (II Reis 5), como poderia ser curado de sua lepra? Se o povo de Israel não enfrentasse os perigos do deserto, como teria chegado à terra prometida? Se Jesus não tivesse a coragem de por os pés nas estradas e trilhas de seu País como poderia ter ajudado tanta gente? Sem a via sacra e seus terríveis tormentos, como chegaria à glória da ressurreição?
Quem se propõe a viver na condição de peregrino tem plena consciência de que o nosso mundo pode ser bem melhor, mais humano, mais justo, mais habitável, mais favorável à construção da paz, que jamais será a mera “ausência de guerra, mas presença de amor”.
As pessoas mais sensatas nos alertam sobre os irmãos que, nas curvas mais fechadas do dia-a-dia ou por motivos estranhos, perderam o sentido da vida e se afundaram no consumo das drogas. Muitos já tombaram pelo caminho e outros correm o mesmo risco. Nós, que reconhecemos Jesus como Senhor absoluto, precisamos usar os nossos pés, as mãos, o coração, os nossos sentidos, as nossas forças e entendimento para reverter esse processo doloroso de destruição.
Temos que nos expor sempre em favor da vida e não nos arvorarmos como juízes dos que se deixaram escravizar pelas ilusões de uma sociedade egoísta e mentirosa. A nossa atitude precisa ser como a de Jesus, que nas suas andanças, deparou com uma mulher flagrada em adultério e, indagado sobre a sua possível morte por apedrejamento, teve a autoridade de mandar atirar a primeira pedra “quem se considerasse o bom”. Todos foram embora envergonhados (Jo. 8, 3-11). A nossa atitude não pode ser a mesma desses e outros escribas e fariseus. A nossa missão não é a de condenar, mas a de buscar e salvar o que se encontra em perigo. Somos, antes e acima de tudo, peregrinos da esperança!
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