EDUCAÇÃO PARA A VIDA
EDUCAÇÃO PARA A VIDA
João J. C. Sampaio
É comum ouvir a expressão: “educação vem de berço, começa em casa”. Se, realmente, essa expressão corresponde à verdade, corremos o risco de cair na desilusão, pois a nossa sociedade não caminha tão bem quanto desejamos, apesar de toda nossa luta e boa vontade. Pelo menos, muitos dos frutos produzidos, por enquanto não se apresentam como os melhores. Ainda estamos engatinhando em muitas aprendizagens.
Constatamos, por exemplo, que o espírito capitalista tomou conta de nossas famílias e inverteu valores. A própria Educação virou produto de consumo nas prateleiras dos supermercados escolares. Sabemos que nossos pais ou responsáveis desejam ver os filhos despontando vitoriosos no mundo do trabalho e aí brilharem com sucesso. Para muitas famílias a Educação será ótima se conduzir os seus amados para os melhores lugares da sociedade, para as profissões mais cobiçadas, para os salários mais gordos. Muitas escolas até se orgulham de preparar seus alunos para serem vencedores no mercado de trabalho.
Não queremos contestar a importância de ser bem sucedido no mundo do trabalho, mas sim questionar que todo o sucesso do mundo não preenche a nossa sede de realização como ser humano ou de ser feliz. Não estamos fazendo apologia da miséria, mas alertando sobre o vazio de nossas existências. Alguém já apelidou o nosso tempo de “geração tarja preta”, uma geração que vende a alma para consumir o que deseja, mas que só se sente bem quando se alcooliza, toma drogas ou medicamentos perigosos. Aliás, gente importante para nós, hoje, é quem tem mais, quem consegue arrebanhar o máximo de lucro e amontoar mais capital, quem tem o privilégio de consumir os produtos da última geração, os mais luxuosos, os mais caros e sofisticados do mercado. Se assim está amarrada a Educação com o aval de todos nós, como esperar que a família contribua com referenciais mais humanos, se ela própria perdeu a sua identidade educadora.
Atualmente, favorecer um novo modo de pensar e de ser é um sério desafio para nós, para os educadores e as nossas famílias. Como adotar ou construir uma nova mentalidade, quebrando estruturas injustas de poder e instaurando uma nova ordem onde não seremos meros objetos consumidores e de consumo. Como cidadãos conscientes, temos de fazer uma opção radical por mudanças, de modo que a nossa educação não se preste à uma mera estratégia de mercado.
Lamentavelmente, encontramos escolas que exibem a Educação como uma mercadoria a ser vendida ou adquirida por preços elevados. Algumas delas se apresentam como donas da mágica educativa e prometem colocar os seus clientes dentro das melhores universidades e, consequentemente, dentro dos melhores nichos de mercado. A escola pública, por sua vez, cada dia mais humilhada é o retrato vivo da maioria do nosso povo. Se o produto Educação das escolas particulares é cobiçado, o da escola pública é desdenhado, olhado com desconfiança, sem despertar cobiça alguma!
Já aprendemos que a Educação precisa estar a serviço da Vida e da Esperança e, por isso mesmo, deve estar no meio do povo para dar-lhe o apoio necessário em sua caminhada. Não queremos uma “educação mercadoria”, mas uma que leve o nosso povo a ser gente e senhor de seu próprio destino.
Que bom se a educação para a vida em abundância realmente começasse em casa, no berço de nossas seguranças e continuasse pela vida afora!
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