BATISMO: RITUAL OU COMPROMISSO?

  BATISMO: RITUAL OU COMPROMISSO?

                                                                        João J. C. Sampaio

       A nossa mentalidade cristã ainda se mistura com um mundo mágico, com fatos que devem acontecer de um momento para outro ao sabor de nossa vontade. Nesse contexto miraculoso, o ritual ocupa o centro de nossas preocupações. Acreditamos que, pela força do rito com suas palavras, tudo possa mudar em nossa vida num piscar de olhos. Temos, inclusive, a tentação de manipular ritualmente o próprio Deus, insistindo que Ele seja rápido em suas ações com respeito aos nossos desejos. Essa mentalidade cria em nossas vidas as denominadas falsas seguranças, pois afirmamos estar tranquilos porque fomos batizados, fizemos a primeira comunhão, casamos na Igreja, enfim cumprimos os preceitos legais prescritos! Pensamos que garantimos, pelo acúmulo de rituais adquiridos no supermercado eclesial, a salvação prometida por Deus... (Às vezes pensamos que a Igreja é igual a supermercado, farmácia ou algo parecido onde buscamos o que precisamos em determinados momentos!)

 

  Como Jesus, um dia também nós fomos batizados. Nossos pais e padrinhos assumiram, em nosso nome, um sério compromisso diante de Deus e da comunidade eclesial. Um compromisso maravilhoso, mas nada fácil: O DE SEGUIR AS PEGADAS DO MESTRE E SENHOR JESUS no restabelecimento de um mundo de acordo com os critérios da justiça, da fraternidade, do amor solidário e da paz que só faz bem a todos nós. Segundo as Escrituras Sagradas, JESUS não veio à terra para fazer turismo, uma visita de cortesia ou retribuir alguma delicadeza. O profeta Isaías anteviu a missão do Servo e Eleito de Deus como o centro da aliança com todos nós, como luz das nações, implantador da justiça e do direito, libertador das misérias humanas (Is. 42, 6-7). Uma missão desafiadora...

 

  Quando recebemos o nosso Batismo, com certeza também fomos agraciados, como Jesus, com a expressão carinhosa de seu Pai celestial: “Tu és o meu(minha) Filho(a) amado(a), em Ti ponho o meu bem-querer” (Lc. 3, 22). A missão pode ser difícil, mas nos alegremos porque Deus aposta em nós e em nossa capacidade de realização, como apostou em seu próprio Filho. Seremos reconhecidos(as) como filhos(as) de Deus, não porque um dia passamos por um ritual, mas porque assumimos em nossas vidas o mesmo que assumiu Jesus. O ritual não deixa de ser importante, MAS PARA MARCAR O INÍCIO de nossa corajosa decisão em favor do Reino de Deus.

 

  Nós, que aceitamos o Batismo, fizemos a clara opção de seguir os passos do despojado Jesus de Nazaré que sempre se apresentou e agiu como Servo de Deus e de seu povo. O livro dos Atos dos Apóstolos nos atesta que Ele, após receber o Batismo “andou por toda a parte fazendo o bem e curando a todos... (At. 10, 38)” É isso o que temos de fazer em nosso meio.

 

  Que o nosso testemunho cristão não se expresse, simplesmente, pelo cumprimento ritual ou legal de nossas obrigações, mas pelos nossos gestos amorosos, fraternos e comprometidos com um mundo mais humano e feliz!

                             

                    Meu Irmão, minha Irmã:

  - Vamos SACRAMENTAR esse compromisso?

                            - Não precisa assinar, basta empenhar a sua palavra e seguir as pegadas do Salvador Jesus!

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