TÁ TUDO DOMINADO!
TÁ TUDO DOMINADO!
João J. C. Sampaio
Os Evangelhos escritos por Mateus e Lucas, nos relatam com detalhes sobre as tentações sofridas por JESUS. Essas investidas demoníacas sofridas por Ele podem ser comparadas com algumas das incontroláveis tentações que sofremos em nosso dia-a-dia e deixamos nos levar, demonstrando como ainda padecemos de miopia, do faz de conta que enxergamos bem e de como o diabo, por vezes, é ainda acolhido por nós!
Vivemos tão inseridos no “hiper-super-mercamundo” de consumo que não damos conta do quanto somos conduzidos pelo brilho do seu poder. Entramos de peito aberto e nos comprazemos com tudo o que ele nos oferece, mesmo sendo aconselhados, como cristãos, a “estar no mundo sem ser do mundo” (Jo. 15, 19).
Tudo se inicia com a educação que herdamos de nossos pais e ofertamos aos nossos filhos. Ela tem visado o possível sucesso que eles poderão conquistar: queremos que eles sejam realizados do ponto de vista do econômico, acumulando bens, patrimônios, fama, um bom casamento (leia-se: consorte rico...) e nem sempre buscando qualidades mais humanas. A riqueza se tornou o símbolo do bem sucedido de nosso tempo. O rico não precisa provar mais nada, pois traz em si o significado do vencedor, o modelo exemplar a ser seguido! É o “santo” querido do deus Capital...
É notório perceber como as nossas famílias se orgulham de seus filhos porque se tornaram experts em teclado, piano, língua inglesa, esportes, balé; estudaram em bons colégios, fizeram o melhor cursinho, conseguiram vaga na universidade mais badalada, participaram de cursos cujas profissões são as mais procuradas, mais rentáveis do mercado e que geram status de grandeza. Raramente indagam se os filhos se consideram vitoriosos como gente, se sentem realmente felizes, se são bons cidadãos, cristãos, pessoas autênticas, construtores participantes de uma sociedade melhor, em suma, se buscam ser profundamente humanos. Evidentemente, que todos nós temos a obrigação de nos preparar com esmero para a vida, pois quanto mais capacitados formos, mais podemos produzir e partilhar. O que se deseja é não inverter os valores, perder a identidade, a dignidade humana e os rumos da ética. Fundamental também é não permitir que os donos do mundo tomem conta de nossas cabeças e de nossos corpos.
Jesus, nosso Mestre e Senhor, foi duramente enfático com o demônio quando este lhe mostrou “todos os reinos do mundo com sua glória e que tudo seria dele”. Única exigência: “Dar-te-ei tudo isso, se prostrardes aos meus pés e me adorares” (Mt. 4, 9 e Lc. 4,5).
Experimentamos em nossos dias as consequências dessa prática. As pessoas, com plenitude de ganância, vão se tornando indiferentes, egoístas, frias, calculistas com relacionamentos mais comerciais e menos amorosos. Os encontros familiares e de amigos vão se resumindo aos casamentos e velórios. Tudo porque o tempo é sinal de lucro, de poder, de manutenção do “status quo” e não pode ser desperdiçado. Daí também as consequências: a irritação, a cara feia, a pressa, o cansaço e o sono atrasado! Aliás, a gente sempre tem sono atrasado!
Muitos, para suportar a carga de uma vida sem sentido partem para as drogas: desde as mais comuns compradas nas farmácias para levantar o astral, até as mais pesadas que provocam a sensação, ainda que por instantes, de pseudo vencedores. No mais, também reclamamos que ninguém se importa conosco, que vivemos na solidão, que suportamos todas as dores do mundo, que os políticos só prometem e nada fazem; que a Igreja só prega a paciência; que o mundo é dos espertos, enfim, que a vida é mesmo uma droga! “Tá tudo dominado!”
Aqui vem um sugestivo convite: vamos aproveitar esta Quaresma para rever a caminhada, para eliminar as traças, os vermes, os fungos e as mil-e-uma bactérias que impedem a vida correr solta e feliz!
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