"É JESUS, O PROFETA DE NAZARÉ..."


“É Jesus, o Profeta de Nazaré...”

João J. C. Sampaio



Jesus, finalmente, decidiu entrar solenemente no centro mais importante do mundo religioso judaico. Depois de viver na pequenina e desconhecida Nazaré, de bater pesado no serviço de carpinteiro, de iniciar a sua missão pela menosprezada Galileia, agora se prepara para o desfecho de sua obra redentora. Vai para a cidade de Jerusalém, local reconhecido como concentrador do poder político, econômico e religioso do país, onde estavam instaladas as mais resistentes raízes das injustiças que afligiam o povo. Havia chegado a hora do afrontamento.



Todos os Evangelhos mencionam que Jesus teve uma atitude inesperada ao aproximar-se de Jerusalém (Mt. 21, 1-11; Mc. 11, 1-11; Lc. 19, 28-48; Jo. 12, 12-19): Ele quis entrar na cidade montado em um jumentinho. Certamente, havia mais gente chegando e saindo da cidade nessa montaria tão comum na época. Mas, mesmo assim, com Jesus tudo foi diferente. A sua entrada foi triunfal, entre aclamações de júbilo do povo que lá se encontrava. A cidade se alvoroçou, pois o já famoso profeta de Nazaré, o “rei justo e vitorioso” na expressão do profeta Zacarias, acabara de chegar (Zc. 9, 9). Nele o povo reconheceu o “abençoado que veio em nome do Senhor (Sl. 118, 26).”



Ao passar pela porta da cidade santa, Jesus fez questão de ser mais um no meio de seu povo. Ele, de fato, pertenceu em carne e osso ao Israel sofrido e esperançoso. Ao montar no jumento, talvez quisesse mostrar que o valor estava na sua pessoa e não no simples meio de transporte que O carregava. Qualquer outro rei montaria um cavalo fogoso, bonito, levaria escudeiros, um séquito real bem vestido, exibiria a sua riqueza para tornar a sua imagem mais valorizada. Jesus, porém, não usou dos artifícios dos poderosos. Contrariamente, fez questão de servir como sinal de contradição aos seus contemporâneos privilegiados. Há mais um detalhe: esse burrinho, o táxi do povo, foi tomado por empréstimo na vizinha Betfagé. O animal nem lhe pertencia...



Jesus, com seu gesto, certamente se comprazia em estar um pouco mais com a sua gente sofrida que, nesse momento, se sentia feliz com sua presença e O aplaudia à sua passagem. Ele também devia saber que nesses seus concidadãos estavam representadas multidões incontáveis que um dia se juntariam para gritar “hosanas ao Filho de Davi!” Enquanto isso, sorrateiramente, os poderosos incomodados tramavam contra a sua vida!

No intervalo que vai de sua entrada triunfal até os acontecimentos terríveis de sua condenação e morte, Jesus, do alto de um monte contemplou pela última vez a cidade de Jerusalém e proferiu sobre ela palavras de lamento: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas todos os que te são enviados! Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha faz com os seus pintinhos debaixo de suas asas... e tu não quiseste! Tua casa ficará deserta. Já não me vereis, até que digais: “Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor (Mt. 23, 37-39)”.



Como é de nosso conhecimento, Jesus, o Profeta enviado por Deus, teve o tratamento dado a outros profetas. Mais ainda: o filho do dono da vinha, arrastado para fora de sua propriedade foi supliciado e morto sem nenhuma compaixão (Mc. 12, 6-8). Recebeu, dos que mais sabiam a respeito do Messias, desprezo e humilhação. Sua morte lhes era conveniente...



Nós, porém, que hoje celebramos os mistérios de sua morte e ressurreição, queremos, no Senhor e Cristo Sofredor, manifestar a nossa fé e todo o nosso amor. Que o seu Sangue precioso lave as nossas feridas e cure as nossas enfermidades para que sejamos dignos, com Ele, da feliz ressurreição!


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