“LIBERDADE, LIBERDADE, ABRE AS ASAS SOBRE NÓS!”
“LIBERDADE, LIBERDADE, ABRE AS ASAS SOBRE NÓS!”
João J. C. Sampaio.
“Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”, assim suplicamos.
A sede de liberdade vem secando a garganta de milhões de irmãos brasileiros desesperançados. As condições desumanas, presentes no País, vem algemando os magros braços de uma multidão de desvalidos que suspiram pelas migalhas que caem, com descaso, da mesa dos mais favorecidos. Tais migalhas concorrem, para manter mais ou menos em pé, fileiras intermináveis de soldados rasos que continuam a lutar junto aos donos do poder, mas acreditando que combatem em favor de si mesmos.
Celebramos mais um ano de independência política de nosso País. Sem dúvida alguma, demos passos significativos na direção da cidadania tão almejada. Ao celebrar este fato, porém, temos a obrigação de renovar os votos de amor à nossa terra, de revitalizar os anseios de melhores dias e, sobretudo, de retomar a séria reflexão de como erradicar os vergonhosos contrastes sociais presentes entre nós. Precisamos ainda, e com urgência, aniquilar as causas de tanta marginalização de nosso povo, criando condições que promovam soluções redentoras. Não podemos assumir a atitude irresponsável dos que acham que eliminando os pobres e miseráveis, eliminamos a pobreza e a miséria. Uma sociedade melhor só será possível pela elevação de todos os seus membros. Em síntese, a independência se faz com justiça social!
Celebrar a independência é procurar aprofundar mais a dimensão humana e não deixar que o fio da meada da cidadania escape de nossas mãos; é proteger, sem descanso, o nosso precioso investimento: a brava gente brasileira! Na verdade, só se celebra bem quando se reconhece o significado do que é celebrado e só nos sentiremos incluídos nesta festa se os nossos direitos estiverem garantidos.
A conquista da independência se realiza, de um modo especial, com a Educação. Esse é o caminho que expande a luz necessária para empreender e compreender o que queremos e buscamos. Não esquecer jamais que a Pátria somos nós e é de todos nós! Ela não é privilégio de minorias poderosas que se comprazem no esbanjamento e na exclusão de seus semelhantes. Para quebrar essa corrente de injustiças, nada mais salutar que uma Educação libertadora, que nos capacite a fazer uma leitura mais acurada, mais crítica das reais condições de vida de nosso povo e que fomente uma relação mais igualitária, fraterna e solidária.
Celebrar a independência é ainda examinar, corajosamente, o que não fizemos. É olhar, com humildade, os nossos fracassos e com vergonha a nossa omissão. É ter a postura de quem sabe pedir perdão, mas também sabe arregaçar as mangas, colocando-se, novamente, a serviço de uma Pátria mais digna, mais humana, mais justa, mais fraterna, mais feliz. Na expressão de nosso compatriota Caetano Veloso: quero uma “pátria que seja mátria” e que promova a “frátria”.
A nossa fé proclama que fomos gerados do mesmo Pai como filhos livres e não escravos. Diante de condições geradoras de desgraças, infelizmente, perdemos muito de nosso espaço e de nossa dignidade, mas, na coragem e juntos, a Terra Prometida continuará a ser uma conquista diária.
Com o poder de Deus, com Educação para todos e com a nossa labuta, deste chão há correr muito leite e mel!
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